it favela
kenner no pé, estilo 011
estilo e resistência andam de mãos dadas, tanto no mundo da música quanto no mundo da moda, como disse em edições anteriores, o estilo é uma das formas de resistência que a favela encontrou para manifestar contra as violências do Estado. para mim, a moda é um grande interesse na minha vida, principalmente por trazer um viés político no tipo de roupa que você usa no dia a dia.
primeiramente, o termo it favela surgiu pelo blog Expensive $hit das irmãs tasha e tracie okereke, fazendo uma alusão ao termo gringo it girls que traduzido significa garotas do momento e referência para as mulheres, só que nesse contexto, a it favela é focada para a galera da periferia. a expressão criada pelas gêmeas acabou repecurtindo, ressaltando a criatividade e o impacto da moda periférica no Brasil e no mundo. hoje em dia com a internet, a moda periférica foi disseminada em nível internacional. temos certeza que veio da cultura brasileira, mas de que canto será que surge essas estéticas?
começando pela mais famosa, a estética “sportlife” ou também conhecida como “brazilcore”. teve seu auge global na Copa do Mundo de 2022, quando a gringaiada pegou o hype e inseriu essa nova estética no seu dia a dia. o “brazilcore” foi e ainda é tendência para aqueles de fora, exaltando as cores da bandeira do Brasil e trazendo a moda futebolística para os holofotes.
na época várias influencers, principalmente no nicho da moda, participaram de trends nas redes sociais. a estética acabou chegando em coleções de marcas de luxo como a balenciaga que desenvolveu camisetas inspiradas no “sportlife” e no “brazilcore”.
nas favelas brasileiras, as camisetas de time sempre estiveram em alta, criando um movimento estético que marcas grandes como a Nike e Lacoste se interessaram.
conhecido mais como furacão 2000 ou então o famoso roupa de piriguete. o fubanga core é um estilo caracterizado por mini-saias, estampa de oncinha, joias pesadas, tamancos e tudo que há de maximalista, se está difícil de imaginar, pensa nas personagens icônicas das novelas da globo. de acordo com a revista DS Moda, essa estética é um movimento de pertencimento, questionando a elitização da moda, principalmente o minimalismo, o clean girl aesthetic que explodiu na época da pandemia.
a fubanga core é uma vertente latinizada do y2k, ou seja, a moda pensada nos anos 2000 só que versão estadunidense. então tanto aqui, quanto lá fora grande parte de celebridades e influenciadoras adotaram essa estética, usando ela até hoje.
muito além disso, não somente existe o fubanga core que é inspirado nos anos 2000, mas também a moda mandrake. essa estética é a cara da periferia, me refiro a camisas de time, boné de crochê, tênis esportivo e óculos espelhado. a popularização desse estilo foi consequência dos bailes de favela que são momentos de troca e performance, ou seja, uma sociabilidade pros jovens. cantores que vieram das favelas como o mc hariel e tasha&tracie, possuem um grande peso para divulgar o trampo dos criadores da favela.
quando pensamos em moda mandrake aparecem várias marcas grandes como oakley, lacoste, kenner, planet girl, mizuno que querendo ou não viraram itens de luxo na quebrada. pra muitos deles, vestir como mandrake é sinônimo de superação e orgulho para os jovens periféricos.
“Nois não ostenta, nois só grita alto a superação”
- MC HARIEL
assim, a mini-saia, o chinelo kenner e as camisetas de time que estão na mídia global, possuem um contexto de pertencimento e superação dentro da periferia.





muito bom!